13 de março de 2011
Livros abertos
Eram duas meninas. Quando a história deu incio tentavam se parecer em quase tudo, e até conseguiam sem grande esforço. Mesmos planos e gostos, e havia sempre uma enorme necessidade em provar que aquilo estaria intocável pra sempre. Mas nada sabiam, e nada podiam entender de eternidade. Quando o amor é descoberto tão cedo, ele é como criança, que tudo quer saber, tocar, falar e provar, sem muitas vezes conseguir. O tempo se arrasta depressa, e junto com ele o livreto de suas vidas fora ganhando forma, linhas e mais linhas. Não há como estarem juntas em todas as páginas, mas não ha como estarem separadas em um capítulo sequer. As histórias, se não conjuntas, se cruzam em menções, em pensamentos aleatórios, ou em pequenas citações feitas com carinho ou mesmo raiva pelas personagens. O livro - agora talvez ja de pra chama-lo assim- aquele pequenino, porém bonito livro está longe se ser terminado, nele não cabem edições, o que se escreve, nele fica guardado e não mais se pode apagar. Não se sabe como irá findar, só que as histórias continuarão entrecruzadas até o ultimo ponto final. O pouco que sabia de amar era que não se podia escolher parar, é quase uma condenação. Se o pra sempre existe? Como saber. Nem tinha a mínima pretenção, o que sabia era que estaria, de bom grado, condenada a amar amar aquela pequenina criatura até que seus relatos terminassem. Hoje as meninas pouco se parecem, os gostos são quase opostos, os sonhos diferentes, desejos pouco equivalentes e fica mais difícil manter os pequenos contos, não mais de fadas, unidos. As dúvidas são constantes, mas a maturidade chega, vem com calma que é pra elas pensarem que ja sabem de tudo, pra logo depois então descobrirem que de nada sabiam. A antiga necessidade, aquele aperto no peito da lugar a calmaria da certeza,as vezes sofrida, de que pode tardar, mas a união virá, o esclarecimento, o carinho e o zelo. Ja passara algumas noites olhando-a enquanto durmia e agradecendo a uma força divina qualquer, a pureza daquele sentimento, porque é dele que vem a certeza de que ali poderia estar sempre e sempre. Talvez não pra sempre, mas com certeza por todos os dias do seu existir, estaria sim sempre. Então com as mãos dadas, viajam pelo trilho vida com seus livros carregados sobre o peito, cada qual com sua capa bastante difrente, capa essa que por vezes muda com o tempo, mas que por dentro tem em comum: ambas escrevem ali lindas e sofridas histórias de amor. Estão por vezes rindo, chorando, amando ou odiando. Mas sempre vivendo, mas sempre juntas.
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