Acho que descobri com isso, porque me é tão prazeroso dormir. Não se trata de sono em demasia, preguiça ou cansaço. Dormir por dormir é só mais uma necessidade fisiológica humana, mas o que faz dela esplêndida é o sonhar. Faço dele um refúgio onde realizo meus desejos mais ínfimos, espirituais ou puramente carnais.
16 de setembro de 2011
Temos que relembrar a ser livre e a não ter feridas. Foi a ultima frase que pude ouvir antes de voltar a consciência . A linha limite entre consciência e subconsciência parece cada vez mais branda. E a primeira só me parece de fato livre quando tomo consciência do meu estado de subconsciência, então desfruto plena, da liberdade que é não estar mais no corpo, caminhar por um mundo mágico e real, construído por mim. O conceito de realidade é cheio de pré determinações, de certezas mal acertadas. Abrimos os olhos, mas será que ao faze-lo entramos na ''realidade''? O sonho é transcendental, entramos no mundo das infinitas possibilidades, subjetividade, puro sentimento e percepção. O sonho é onde mais perto chegamos da liberdade. E se ainda não conseguimos desfrutar por inteiro de toda sua essência, é porque estamos tão sistematizados a pensar de forma extremamente limitada, que transferimos essas barreiras emocionais (que são extremamente racionais, e é esse o problema) pro mundo etéreo do subconsciente. Nesse estado as possibilidades alternativas à ''realidade'' são nos colocada, e estranhamos, mas não no sonho, e sim quando acordamos. Mas pensamento também é força, é real, acordados não podemos percebe-los porque a visão esta sempre direcionando as possibilidades para o que já conhecemos, que diga se de passagem, não é nada. Qual é a linha limite da sanidade e da loucura? A quem chamamos louco? Não conseguimos entender o que ele vê ou diz, o que sente, então o medicamos, o amarramos e o chamamos de louco. Acredito que esse ''louco'' conseguiu atingir a percepção do subconsciente sem precisar dormir, está ''sonhando acordado''. Torna se então um problema porque ele não mais consegue se socializar, já que não podemos compartilhar nosso sonhos com ninguém, é uma construção puramente individual. E talvez por isso, seja tão fascinante. Somos a todo momento invadidos em nossa intimidade por realidades(pessoas e objetos) que não construímos, nem sequer permitimos, mas somos obrigados a vivencia-la. A essa característica individualizadora do sonho deve-se o seu fascínio e a possibilidade de auto-conhecimento. Basta ater-se aos pequenos detalhes, um quadro ao fundo, uma voz, uma chuva.
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