hoje não precisei me drogar.
olho pra parede amarelada, lisa com o mesmo interesse de quem olha pra um por de sol.
mas não é um por de sol. é uma parede. a farsa acabou, as cores, os
contos, os sorrisos - menos aqueles amarelados - os olhos que juram ser
de verdade, leve tudo de volta. não sei ser melhor, perdi a vontade de
tentar fazer qualquer coisa que não seja ficar aqui, nesse mesmo lugar,
não agredindo e não sendo agredida - por quaisquer pessoas fora eu
mesma, não sou vítima de ninguém. vao parar de falar do meu eu como se
subesse alguma coisa, como se entendesse alguma coisa. perdi a lucidez.
nunca tive, é bem verdade. já não vou duvidar de nada, deus até deve
extistir, deve haver alguma coisa melhor que o que se conhece. agora sou
eu, eu por mim mesma. por mim mesmo, não tenho sexo. e pela primeira
vez pude experimentar a paralisia de quem espera ser levado pr'algum
lugar que seja nada. que tenha nada. que me deixe ser nada. e até sorri
sim.
não é pra ser bonito.
não desejo mais sua morte,
só a minha.
raissa.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário