15 de julho de 2012

hoje não precisei me drogar.
olho pra parede amarelada, lisa com o mesmo interesse de quem olha pra um por de sol.
mas não é um por de sol. é uma parede. a farsa acabou, as cores, os contos, os sorrisos -  menos aqueles amarelados - os olhos que juram ser de verdade, leve tudo de volta. não sei ser melhor, perdi a vontade de tentar fazer qualquer coisa que não seja ficar aqui, nesse mesmo lugar, não agredindo e não sendo agredida - por quaisquer pessoas fora eu mesma, não sou vítima de ninguém. vao parar de falar do meu eu como se subesse alguma coisa, como se entendesse alguma coisa. perdi a lucidez. nunca tive, é bem verdade. já não vou duvidar de nada, deus até deve extistir, deve haver alguma coisa melhor que o que se conhece. agora sou eu, eu por mim mesma. por mim mesmo, não tenho sexo. e pela primeira vez pude experimentar a paralisia de quem espera ser levado pr'algum lugar que seja nada. que tenha nada. que me deixe ser nada. e até sorri sim.


não é pra ser bonito.
não desejo mais sua morte,
só a minha.

raissa.

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