20 de outubro de 2010

Palavras

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É preciso perder-se na beleza de certas donzelas

Aquelas que estão muito bem escondidas no espaço

Ou apenas passeando com suas capas

Que as fazem quase irreconhecíveis


É preciso despi-las

Por vezes arrancar lhes com violência de seus inatingíveis pedestais.

Há também aquelas que só conhecemos de vista,

Que, porém jamais chegamos perto


Não por desgosto,

Apenas porque emanam certo desprezo

ao nosso pobre cotidiano

Mas lá estão elas

Desejando que as busquemos

Desejando que as toquemos e as beijemos


São carentes de amor

Carentes de atenção

Vou então a sua procura

Vou por vezes em vão ao seu encontro

Porque mesmo carentes, são voláteis

São travessas e relutantes ao meu abraço

De certo se riem do meu romântico esforço


Venham e se façam presente, minhas meninas

Venham e me ajudem nessa tão ardorosa tarefa:

escreve-las.

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