8 de novembro de 2010
Janela, brisa e chuva
Sentia-se melhor naquele lugar. Estava agora sentada na janela, a brisa fluia suave penetrando em seu rosto quente, como se acariciasse suas bochechas rosadas. O vento suspendia o cabelo ondulado como se o afagasse e embalava seu corpo, como se o abraçasse. Tudo mais parecia uma proteção materna, um amor divino. Era manhã, podia ouvir o soar dos pássaros, tudo ainda dormia, lentamente é que começava a ouvir o cântico das crianças acordando enquanto sentia o cheiro de café vindo da cozinha. Lembrou dos amigos queridos, eram eles que a faziam esquecer, por vezes, que nada naquilo tudo fazia o menor sentido. Mas não estava tentando entender. Sozinha, torporosa, não estava ali pra questionar nada, mal desejava pensar.. O vento, o céu, e agora a chuva que começava a cair sobre as rosas do jardim a faziam sentir-se um ser completo e vivente desse sistema que chamam vida. A chuva nada mais fazia senão lava-la por dentro d'alma, limpava aqueles sentimentos mundanos de quem se entrega as paixões desequilibradas, era apenas essência nesse momento. Respirou. Mas o barulho da chuva no gramado foi cessando, já não mais sentia o vento, e as crianças não mais brincavam. As sensações aos pouco indo embora e a janela afastava-se, a chuva parou. A brisa fora substituída pelo calor. Abriu os olhos.
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