8 de dezembro de 2010

Luz acesa

As luzes enfim findaram-se, a cidade descansa, alguns mendigos já forram o chão com seus trapos rasgados. A correria, a fumaça, a buzina, os gritos de vendedores ambulantes. Tudo cessou. De quando em quando ouve-se certos automóveis no asfalto, velozes, mas é só um flash, uma cena não fotografada. As casas já dormem e a penumbra cobre os rostos nos quartos, os corpos cansados. Os olhos não tardarão a fechar.

Há porem uma casa, sempre a mesma, que permanece. Nela os olhos bem abertos e cansados trabalham, choram escondidos e lutam inutilmente para fechar. Onde os sonhos se foram juntos com algum automóvel veloz, onde eles se foram roubados. A noite leva consigo o brilho de quem vendo amor. Ela passa vagarosa e quando o dia vem, trás alivio e tristeza. A melancolia de uma vida furtada nunca irá dormir.

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