9 de maio de 2011

A lagarta está deixando o casulo, não por vontade, não sem dor. Apenas por força da natureza. Era bastante quente e protegido mas veja só, agora se pode voar. Tentaria não assustar se com a imensidão do céu, ou as estranhas criaturas e só. A liberdade pode ser assustadora quando imposta mas ainda sim é a liberdade, então porque o pranto?

Ser forte. É quando todos os acidentes emocionais esmagam por lados e formas distintas. É quando os motivos para deixar que os olhos vazem e a garganta estoure são maiores do que os motivos para tentar firmeza. É ai que ironicamente conseguia mais equilíbrio, pelo menos o aparente. Talvez seria apenas uma forma de elevar seu pequenino ego, sentir que era forte quando na verdade o que fazia todos os dias era segurar uma bola de nó na laringe, uma bola que a sufocava silenciosa e lentamente. Ter que abdicar da tardia decisão que a tiraria da angústia certamente teria seu valor. Pensava que o sofrimento mudo elevaria o homem. Quando sentido pelo próximo trazia revolta, porém quando pra si é angústia, é aperto, é covardia. Agora as coisas tinham mudado, aquela liberdade de que tanto se orgulhava ganhara uma cara terrivelmente assustadorade solidão. Deixaria de lado os resquícios de dependencia, cresceria.

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