E ovo que era, perfurou sua casca, e esperou até que todo fuido nele contido escapasse.
Era um criança quieta, introspectiva porém doce. Em pouco assemelhava se com as demais, sempre calada em algum canto, olhando fixamente pra algum lugar. Viviam a importunando, perguntando por que tamanha tristeza, e sempre respondia o mesmo '' não estou triste ''. Estava apenas pensando, algo incomum para uma criatura tão jovem mas era sim isto que estava sempre fazendo. Não entendia o motivo de tanto espanto por isso, de tamanha preocupação para com essa suposta tristeza precosse. Nunca sentia raiva, simplismente não conseguia. Ao invés disso guardada suas pequeninas mágoas no peito. Não era capaz de gritar, e não era pelo tamanho quase inesistente de sua boca rosada, ao invés disso, calava, assentia, isolava se e chorava- sem que ninguém visse. O tempo foi passando e a introspecção a acompanhando, adaptara se porém ao convivio para não ser demasiadamente importunada pela sua estranhesa. Sempre interiorozando sentimentos e até hoje não sabe o porque. Por fora equilibrio, por dentro dúvida e angustia.
Quando não conseguia mais encontrar se, quando seu disfarse estava tomando conta do que verdadeiramente era, parava, olhava se profundamente no espelho e via la no fundo d'alma, não sabia ao certo o que via, mas via aquilo que era seu eu, e dele não podia separar se, não podia esquecer, não admitriria a fulga de si mesma.
Talvez fosse apenas um enorme pedaço de carne carregando entulhos de sentimentos reprimidos. Sob o peito havia excessos guardados, aquilo pesava. Na garganta frases não ditas, berros contidos, e nós não desatados. Doía também.
Aos poucos ia se trancafiando em si mesma, interiorizando cada membro moribundo de seu corpo, repuxando cada emoção que pudesse tentar escapar. Como quisesse tornar se um ovo. Presa em sua casca.
Tres camadas. Sua alma ja envelhecida desda a infancia é a gema, o misto de órgaos, musculos e ossos é a clara e o que fica exposto, a pele inerte, o rosto sempre tranquilo na aparencia, a casca. Intacta. Depois foi só o que restara.
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