10 de julho de 2011

Não, o que levo no peito não posso chamar pedra, porque pulsa, porque sinto, porque dói.
Ademas não se trata de um coração, porque não ri, porque não chora, porque não bate.
Carrego no lado direito, um machucado.
Que vive, dolente, exatamente entre o externo e o interno, carrega o misto de emoção e razão, fedor e canção. É rígido feito pedra e dolorido feito coração. Quando era criança eu adorava brincar com machucados, cutucava amiúde até deixar sangra pra depois então ficar tratando as feridas. Alguns deles formaram cicatrizes que nunca sanaram. Hoje não brinco mais com eles, deixo os quietos, tenho lhes deferência, quiça medo.

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