2 de agosto de 2011

Carta de despedida

Há muito não preciso ver tua assinatura pra reconhecer nas tuas palavras embaraçadas, a autoria dos teus devaneios sofridos, da tua auto-punição literária. Faz tempo que os leio sem me pegar procurando citações que me façam reconhecer um laivo de mim nas linhas tortas, pra que me sinta, ingênua, parte do teu bem querer.
Há muito não paro durante a tarde para ler conversas nossas, guardadas a muito esmero sobre os ínfimos sofreres, da tua sibilina ventura, tua dor ao mundo ou sobre teu nobre amor. Não mais o admiro com reverência. Já pude ir fundo demais nas tuas entranhas , já mergulhei tanto e tanto na tua dor que se quisesse poderia toca-la , quiça senti-la, como já o fiz. Mas me mantenho distante que é pra deixar essa minha ferida esquecida num canto qualquer. Uma distancia segura pra que não possa sequer olha-la.
Já expurguei em ti o que faltava para libertar do peito a antiga angústia de não poder querer te. Me desculpe. Não reconheço nisso a renúncia louçã do puro amor, mas nisso tudo ainda saio perdendo. De bom grado porém.
Ainda te amo. Apenas não mais sonho deflorar te. Nem mais escrevo poemas pincelados a sal e água, culpa que é só minha pela contradição do meu amor. Ainda te amo. Só cheguei ao ponto de não precisar cravar minhas unhas agora vermelhas nas tuas costas de mel.

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