Há muito não paro durante a tarde para ler conversas nossas, guardadas a muito esmero sobre os ínfimos sofreres, da tua sibilina ventura, tua dor ao mundo ou sobre teu nobre amor. Não mais o admiro com reverência. Já pude ir fundo demais nas tuas entranhas , já mergulhei tanto e tanto na tua dor que se quisesse poderia toca-la , quiça senti-la, como já o fiz. Mas me mantenho distante que é pra deixar essa minha ferida esquecida num canto qualquer. Uma distancia segura pra que não possa sequer olha-la.
Já expurguei em ti o que faltava para libertar do peito a antiga angústia de não poder querer te. Me desculpe. Não reconheço nisso a renúncia louçã do puro amor, mas nisso tudo ainda saio perdendo. De bom grado porém.
Ainda te amo. Apenas não mais sonho deflorar te. Nem mais escrevo poemas pincelados a sal e água, culpa que é só minha pela contradição do meu amor. Ainda te amo. Só cheguei ao ponto de não precisar cravar minhas unhas agora vermelhas nas tuas costas de mel.
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