21 de dezembro de 2011

Alguma outra descoberta

Como se já não tivesse muito bem arranjada pra, mais do que ver, sentir aquilo, olhou para trás e constatou. O cheiro quente daquela flor fora tragado como um vento que não se demora por alguém que nem o reconhece, que nem sequer a sente.
Alguém incapaz de olhar naqueles olhos irreais e sentir toda sua alegria e penar. Alguém que pouco tem a oferecer. Mas quem disse que ela liga pra oferendas.
Olhou rápido o suficiente para não deixar pregado na mente a imagem que desde sempre soubera existir, apena escolheu não reparar. Feito aqueles quadros que a gente joga em algum canto, porque são pertinentes demais, incomodam demais.
Não sofreu. Não sentiu. Sequer pensou. Desviou e seguiu fumando, bebendo. Agora em maior quantidade. E como se não mais existisse desejo, paixão, tristeza, e alegria, embriagou seu eu cheio de falsas certezas, na antiga promessa de acabar com tudo. Queria mesmo era viver o nada. reviver. E conseguiu.
Depois bebeu da seiva, arrancou as pétalas, agora sem amor, sem zelo. Não era pra gostar, sequer a beijou. Foi embora.
Soube desde então que se não podia suportar vê la distribuindo essência por onde passa, então a amaria sim, a cuidaria sim, mas longe o suficiente para não desejar o que tem pavor de querer apenas para si. Longe o bastante pra não ferir com magoas aquela que tem tanto amor guardado que não cabe num peito só.

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