21 de dezembro de 2011

Ciranda

Brinca com o amor como quem brinca com uma boneca de porcelana.
Como fosse uma criança jogando com aquilo que quebra e fere.
Não liga quando por vezes, cai e rala o joelho todo.
Nunca ligou.
Não me agrada ser tão adulta, ter medo de correr, cair.
Deixei passar tempo demais te vendo brincar com vida pra poder te deixar agora.
Vou cuidar das tuas feridas.
Aquelas todas, que você, sendo a criança que é, ignora e volta a correr por aí.
Volta a brincar por aí, a ralar por aí.
Não importa.
Te darei meu coração de vidro, já todo arranhado, furado e sujo.
Darei pra você brincar de cuidar, brincar de amar.
E quando ele cair das suas mãos pequeninas e quebrar, não precisa me olhar com esse rosto folião e se desculpar achando que a adulta chata ficou brava.
Nessa hora ela já não vai mais sentir dor.

Vai só te olhar e sorrir.

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