- Três doses por favor.
Se afogava naquele copo na tentativa de se esconder nele, e se escondia. E bebia, embriagava-se na solidão que se abatia sobre seus olhos já quase vermelhos. Mais uma dose por favor. Precisava da máscara da embriaguez pra disfarçar seu semblante já vazio, suas palavras já igualmente vazias, seu sorriso já forçado. E ria, na tentativa já desesperada de achar graça no que não havia graça, na tentativa de expor sorrisos ao invés de lágrimas, lagrimas essas já vazias.
- Por favor. Já era patético demais então parou e ascendeu um cigarro. Estava rodeada de gente e no entanto olhou em volta, com sua vista já embaçada e não viu ninguém. Lá estava ela tragando a fumaça cinza pra dentro dos pulmões, tragando a nostalgia pra dentro das entranhas.. mas que engraçado, nem isso podia fazer, era proibido.
Então começou a negar-se. Gritava, para quem quisesse ouvir, mas que engraçado, isso também não lhe era permitido.
Naquela noite, embriagou-se. Tanto que não queria mais lembrar de quem era, ou o que sentia. Fora rejeitada da pior forma, e no entanto não podia mostrar-se magoada para não ferir quem a tinha ferido, curioso. Era mesmo idiota.
- Foda-se. Quero meus cigarros e minha cachaça.
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